quinta-feira, 22 de julho de 2004

Hoje acordei... E não dormi de novo!?!?!?!?!?!


     Acordei com desejos vagos que pressionavam-me a fazer algo que, por muitas vezes neguei, e me arrependi. Tais desejos martelavam meus neurônios com tanta força, que  sentia até os dedos dos pés. Os pés estavam congelados com o frio sóbrio que permeia a cidade. E meu corpo atrofiado sob roupas negras de outono.
     Quando percebi que tais desejos faziam parte de meu passado, tive uma convulsão de sonhos intermináveis e pesadelos  sarcásticos. Cai no chão. Tremia como um velho insano prestes a finalizar sua passagem. Sentia dores que nunca sentira. Tive receios que nunca tivera. Meus dedos congelaram-se, e não sentia mais meu corpo. Não sentia mais nada. Nem menos sabia onde estava.
     Entrei no vagão dores de Daniel, e regorgitei o que de mais podre pode conter um ser humano... Ou algo travestido de humano. E depois de alguns minutos ou horas, acordei novamente.

     Estava em algum lugar no passado, ou no futuro... Em algum lugar perto do anjo rejeitado por amar. Podia ver suas asas enormes e ouvir alguns dizeres melancólicos. Não me permitia tomar a palavra. E sua voz esvaia-se através de megafones afinados em mi, por todos os cantos daquela sala escura com um sofá vermelho.
     Entrei em outra porta e resolvi descansar. Mas um silêncio confortante incomodava o ambiente seco envolto por brumas sólidas. Um velho se dirigiu à mim, como se me conhecesse há tempos. Suas palavras causavam asco. Tornei-me algo sem escrúpulos e sem destino??? Perguntei ao velho de barba branca e calças brancas, sem camisa. Mas não me lembro de ouvir sequer uma palavra. Fui contido pela usura.

     Acendi um cigarro que traguei por duas vezes. Assombrado, corri até a porta. Mas estava trancada. O sentimento de perda tomou conta do meu lado direito do cérebro, e passei a sussurrar mantras de perdão. Os quais nunca ouvira antes.  A porta se abriu, deixando entrar uma fumaça densa e úmida, sem cor.
     E ela apareceu entre as brisas áridas, montando seu cavalo negro alado. Carregava uma bandeira e um jarro. Desceu do cavalo, fincou a bandeira no chão e estendeu-me a mão oferencendo o jarro. Atentado, tomei o jarro de suas mãos e me deliciei com tal bebida, mesmo sem sentir cede.
     A culpa passou a conter meus sentimentos e o prazer que sentia ao bebericar aquela infusão refrescante. Me dei conta de que tudo não passava de um sonho, ou um pesadelo. E me vi deitado em uma cama com uma mulher e uma taça de vinho francês. E pelo bouquet, se tratava de um bordeax Petrus safra 67, uma das melhores da história dos meus filhos.
     E foi assim que percebi o quanto é importante viver ao lado de quem vc ama, mesmo que seu amor for reprimido pelo caos. Ou pelo sonho.